O ano de 2025 marcou uma mudança crítica na forma como empresas tratam cibersegurança. Nos Estados Unidos, os budgets cresceram apenas 4%, segundo a IANS Research — metade da média de crescimento dos últimos cinco anos. O foco, mais do que inovar, foi otimizar o que já existia.
Na América Latina, porém, o cenário foi ainda mais sensível: governos e empresas operam em claro subinvestimento estrutural em segurança digital, destinando menos de 1% do PIB ao tema, segundo a OEA. Enquanto isso, o custo médio de uma violação na região já chega a US$ 3,22 milhões, de acordo com estudo da IBM.
Há uma contradição evidente: a economia digital avança rápido, mas a proteção que garante sua continuidade não acompanha o mesmo ritmo. E isso abre brechas que, em 2025, ficaram mais expostas do que nunca.
A combinação perigosa de Shadow AI, deepfakes e atrasos tecnológicos
A expansão desordenada da IA dentro das empresas — muitas vezes no formato de Shadow AI, com colaboradores inserindo dados sensíveis em ferramentas abertas — elevou riscos operacionais. Do lado dos atacantes, a adoção de IA generativa gerou um salto sem precedentes:
- Criação de 10.000 e-mails de phishing por minuto (Forrester)
- Crescimento de 3.000% em fraudes com deepfakes
- Atraso na implementação de autenticação forte e tecnologias críticas
O resultado foi um 2025 marcado por violações, downtime, prejuízo reputacional e, em alguns casos, falência operacional.
Esse cenário não apenas ampliou vulnerabilidades — ele acelerou a saída da cibersegurança do rodapé orçamentário para a pauta prioritária do Board.
2026: o ponto de virada na alocação de capital em segurança
Com ataques cada vez mais sofisticados, 2026 deve marcar um novo ciclo de investimentos:
- US$ 240 bilhões em gastos globais (MarketsandMarkets)
- Até US$ 200 bilhões segundo o Gartner
- 40% dos budgets voltados para software, superando hardware e serviços (ISG)
- 55% dos decisores esperam aumentar seus orçamentos entre 5% e 10%
A lógica deixa de ser “gastar menos”, e passa a ser “gastar certo, no ritmo da ameaça”.
O que Boards estão reavaliando: segurança como habilitadora de estratégia
O aumento dos riscos trouxe uma mudança de mentalidade importante. A pergunta já não é “quanto custa investir em segurança?”, mas “quanto custa não investir?”.
Ao se preparar para o budget de 2026, organizações começam a reconhecer que cibersegurança:
- Viabiliza expansão geográfica
- Aumenta a confiança no valor da marca
- Sustenta a resiliência operacional
- Protege novos ativos e modelos digitais
A segurança deixa de ser barreira e passa a ser infraestrutura estratégica para crescimento.
Como alinhar o orçamento de 2026 às prioridades do negócio
Startups, grandes empresas e players tradicionais convergem em três pilares essenciais:
1. Expansão exige proteção de novos territórios digitais
Se a organização pretende crescer, precisa garantir conformidade, cobertura e continuidade operacional — desde novos mercados até ambientes regulatórios complexos.
2. Confiança da marca é construída com consistência operacional
Clientes exigem segurança como requisito básico de experiência.
Comunicação interna e cultura digital tornam-se tão importantes quanto tecnologia.
3. Resiliência é uma métrica de competitividade
Estratégias de detecção distribuída, respostas rápidas e planos de contingência não são mais diferenciais — são pré-requisitos de sobrevivência.
Essas prioridades devem estar ancoradas em perguntas estruturantes, típicas de um processo de Análise de Competitividade:
- Quais riscos representam maior impacto estratégico?
- O que precisa ser resolvido agora e o que pode esperar?
- Em quais áreas investir traz mais vantagem competitiva?
- Como traduzir investimentos de segurança em resultados de negócio?
Quando o CISO apresenta essas respostas em termos de crescimento, risco e retorno, a discussão deixa de ser sobre custo — e passa a ser sobre direção.
Conclusão: 2025 mostrou as brechas; 2026 exige escolhas estratégicas
O subinvestimento de 2025 não foi apenas um erro tático — ele expôs fragilidades profundas em mercados fundamentais da América Latina. Agora, com IA ampliando as superfícies de ataque e Boards buscando resiliência, a cibersegurança volta a ocupar seu lugar natural: o centro da estratégia.
Em 2026, as empresas que prosperarão não serão as que gastarem mais, mas as que investirem com clareza competitiva, conectando segurança, posicionamento e continuidade de negócios. A Análise de Competitividade será fundamental, pois compreender a dinâmica de ameaças, movimentos de mercado e necessidades emergentes é essencial para orientar decisões de investimento.



