Movimentação das corretoras de seguros mostra um mercado em ebulição

Corretoras disputam espaço no setor de seguros com estratégias de M&A, tecnologia e especialização. Veja como o mercado está se consolidando no Brasil.

O setor de corretoras de seguros no Brasil está passando por um processo silencioso — e estratégico — de transformação. Mesmo sem um ranking oficial como o das seguradoras, os movimentos recentes indicam uma disputa intensa entre corretoras independentes, grupos financeiros e players globais, que estão redesenhando o mapa competitivo por meio de aquisições, tecnologia e especialização.

Com mais de 57 mil corretoras ativas, segundo dados da Susep, o mercado ainda é altamente pulverizado. No entanto, a tendência é clara: as corretoras que desejam crescer precisarão apostar em escala, segmentação e diferenciação.

Consolidação, especialização e foco em segmentos estratégicos

O movimento de M&A (fusões e aquisições) tem sido o principal vetor de crescimento para grupos como Alper, Acrisure, MDS, Gallagher e WTW. A Alper, por exemplo, realizou 72 aquisições desde sua fundação em 2010, sendo 24 nos últimos oito anos, com foco em corretoras altamente especializadas. Em 2024, reservou R$ 400 milhões para novas compras.

Esse tipo de estratégia permite ganho de escala e profundidade técnica em setores como agronegócio, infraestrutura e benefícios corporativos — áreas com grande potencial de expansão, mas que exigem conhecimento profundo do risco e soluções sob medida.

Já a Acrisure, por meio da It’sSeg, aposta na combinação entre aquisições e inovação digital. A aquisição da plataforma Finn, focada em seguro garantia 100% online, mostra como a digitalização também está no centro da estratégia.

Tecnologia e IA como diferencial competitivo

Em um ambiente cada vez mais competitivo, tecnologia não é mais acessório — é fundação estratégica. A Minuto Seguros, maior seguradora 100% digital do país, usa tecnologia para fidelizar clientes, expandir sua atuação para outros ramos e melhorar a jornada de renovação e atendimento.

Outro exemplo é a Globus Seguros, que aposta no modelo white label como diferencial. Ao fornecer infraestrutura tecnológica para corretoras parceiras preservarem suas marcas, a empresa oferece um modelo de crescimento descentralizado e colaborativo.

O mercado está crescendo, mas de forma desigual

Segundo a CNseg, o setor de seguros deve crescer 10% em 2025, após um salto de 12,2% em 2024. No entanto, o crescimento não é uniforme. Setores como seguro rural ainda têm baixa penetração — apenas 7,6% da área cultivável está coberta, segundo dados da FGV Agro e do IBGE — e se tornam alvos prioritários de expansão para grandes grupos globais.

A Gallagher, por exemplo, entrou no Brasil há apenas cinco anos, mas já está ativa em contratos de infraestrutura e saúde, com expectativa de alcançar R$ 3,5 bilhões em prêmios ainda este ano. O grupo português MDS também tem acelerado sua expansão via aquisições, como a da D’Or Consultoria, que dobrou seus prêmios.

Estratégias distintas, um mesmo objetivo: escala com diferenciação

Mesmo com estratégias variadas — de crescimento orgânico, como a WTW, até aquisições agressivas, como a Alper —, todas essas empresas compartilham um mesmo objetivo: construir portfólios robustos, com especialização técnica e presença nacional relevante.

E nesse jogo, quem aposta em inteligência de mercado, governança de dados e experiência do cliente tende a se destacar.


Conclusão: Mercado de seguros exige mais do que presença

A transformação do mercado de corretoras no Brasil está apenas começando. Em meio a um cenário com milhares de pequenos players, quem cresce de forma consistente aposta em três pilares: tecnologia, especialização e estratégia de aquisição coerente.

A próxima década será decisiva. E, como mostram os movimentos recentes, as corretoras que conseguirem alinhar execução com leitura de mercado estarão melhor posicionadas para liderar.

TAGS

Corretoras de SegurosEstudos setoriais

Notícias relacionadas