A Moody’s projeta que a economia global continuará perdendo fôlego em 2025 e 2026, em resposta a um cenário de transição marcado por tarifas comerciais mais altas, ajustes fiscais e políticas monetárias heterogêneas entre os principais blocos econômicos. O crescimento deve cair de 2,9% em 2024 para 2,4% nos dois anos seguintes, revelando que a recuperação observada pós-pandemia dá lugar a uma fase de adaptação prolongada.
O impacto das tarifas: um “imposto oculto” sobre margens empresariais
O relatório Global Macro Outlook 2025-26 estima que o novo regime tarifário dos EUA funcionará como um imposto sobre vendas equivalente a 1% do PIB norte-americano. Isso significa que, em meio à demanda já enfraquecida, empresas enfrentarão margens ainda mais pressionadas.
Embora acordos recentes cubram dois terços das importações norte-americanas, trazendo alguma previsibilidade, a volatilidade permanece. Para companhias globais, isso se traduz em dois riscos estratégicos:
- Cadeias de suprimento menos previsíveis: exigindo diversificação de fornecedores e nearshoring.
- Maior volatilidade de preços: pressionando estratégias de precificação e competitividade em mercados externos.
Políticas monetárias divergentes: estímulo no Oriente, cautela no Ocidente
Enquanto o Federal Reserve deve cortar juros até alcançar 3,25%-3,50% em 2026, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra seguem caminhos de flexibilização mais moderados. Já a China mantém estímulos monetários e fiscais, enquanto o Japão adota trajetória oposta, elevando gradualmente sua taxa para 1,0% em meados de 2026.
Esse descompasso cria oportunidades, e riscos, para empresas globais:
- Fluxos de capital tendem a se deslocar para mercados emergentes mais estáveis e com juros relativamente altos.
- Empresas exportadoras podem se beneficiar de moedas mais desvalorizadas em países com cortes de juros agressivos.
- Gestores de portfólio precisarão calibrar exposição entre risco regulatório e diferencial de taxas.
EUA e China: os polos da nova incerteza
Nos EUA, a economia cresce apenas 1,4% no primeiro semestre de 2025, impactada por incertezas políticas, comerciais e cortes no setor público. Apesar disso, estímulos via cortes de impostos e investimentos podem gerar revisões positivas.
Na China, a expectativa é de crescimento de 4,7% em 2025, desacelerando para 4% em 2026. O motor exportador continua ativo, mas o consumo doméstico segue enfraquecido, em parte pela permanência de tarifas norte-americanas.
Essa combinação reforça um ponto central: a disputa comercial entre EUA e China não só persiste, como se tornou parte estrutural do novo regime econômico global.
O que empresas e investidores devem observar
O cenário descrito pela Moody’s sugere três prioridades estratégicas para os próximos anos:
- Diversificação de mercados e cadeias de suprimento — reduzir dependência de blocos sujeitos a tarifas e volatilidade regulatória.
- Gestão de margens em ambientes inflacionários — rever pricing, mix de produtos e eficiência operacional frente a custos crescentes.
- Alinhamento geopolítico na estratégia corporativa — entender como políticas nacionais podem alterar não só o comércio, mas também os fluxos de investimento e inovação.
Conclusão: a era da incerteza regulatória exige estratégia além da economia
O relatório da Moody’s mostra que o crescimento mais lento até 2026 não é apenas reflexo de ciclos econômicos, mas da consolidação de um novo regime tarifário e geopolítico. Para empresas, o desafio não está em prever o próximo movimento, mas em estruturar resiliência para navegar em um ambiente de longo prazo onde tarifas, políticas monetárias e disputas comerciais serão a regra, não a exceção.




